4 de jun de 2009

bom senso comum

Sou leitora da coluna e vejo o senhor criticar frequentemente o senso comum. Não é o mesmo que bom senso? Qual é o problema com o bom senso?

O senso comum é completamente diferente do bom senso. É uma das vantagens da nossa língua (em inglês, as duas coisas são o "common sense"). Eles não têm um termo apropriado para diferenciá-las. Tenho dito que o senso comum é a religião mais praticada no mundo. E explico: ele depende de fé e não de explicação. Quando alguém diz "mãe é mãe" faz uso do senso comum. Supõe que você tenha fé na afirmação e a obedeça, amando e acatando sua mãe, não importa que tipo de pessoa ela seja.

O bom senso é o sentido de lógica com que nascemos. Meu filho -que foi criado sem religiões- deu um ótimo exemplo de bom senso quando ouviu pela primeira vez os dez mandamentos. Perguntou por que não havia um mandamento sobre honrar filhos e filhas. O senso comum acata; o bom senso estranha e pergunta. O senso comum não explicita, alude ("você tem que ir porque é meu namorado"); o bom senso quer saber o que é um namorado, e por que ele tem que ir, já que está achando um programa de índio. O senso comum diz: "É porque todo mundo faz assim". Resposta muito usada no episódio das passagens aéreas do Congresso. Já o bom senso questiona se é ético ou não. Precisamos muito do bom senso.

Francisco Daudt, na Revista da Folha

2 comentários:

Odele Souza disse...

Ana,

Também gosto dos textos do Francisco Daudt.

Passei para lhe deixar um abraço e agradecer por manter aqui em seu blog o vídeo com a história de Flavia. MUITO OBRIGADA.

Um abraço e bom domingo.

Luiz disse...

um dos seus encantos é o seu bom senso e o seu senso bom. Tambem não morro de amores pelo pupunha e, igualmente, acho o nome muito feio. Mas trabalho é trabalho, né ?beijo