23 de mai de 2007

pq a amamentação ainda é um problema...

entrei em contato com uma pessoa, pedindo q refizesse/melhorasse nosso blog da matrice. mulher, mãe, blogueira.
trocamos alguns emails, mas eu não sei bem pq, a coisa desandou, achei q eu passei uma impressão equivocada, fiquei meio chateada, me sentindo meio culpada, amaldiçoando alguma palavra digitada minha mal colocada... por fim, essa pessoa declinou, disse q não era por causa de dinheiro, mas escreveu com todas as letras q não tinha interesse em conversar a respeito do trabalho. ok, fazer o quê, né?...
mas como eu continuava chateada, me sentindo culpada (sem saber exatamente onde errei), andei fuçando o blog dela.
e achei esse depoimento:

Amamentação
Resolvi aderir à postagem coletiva que dá largada à Semana Internacional da Amamentação. E por um motivo muito forte: tenho sérias restrições à forma como o assunto é tratado. Quero deixar bem claro que sou totalmente a favor da amamentação. Sonhei minha gravidez inteira em amamentar o XXX até os seis meses, exclusivamente. Me preparei, fiz curso, palestras e tudo mais o que tinha direito.
Aí veio o momento tão esperado do nascimento. E ele, como a maioria de vocês já sabe, não passou nem perto da forma que todas as mães sonham. Emergência, UTI, parto prematuro… Só peguei meu filho no colo pela primeira vez cinco dias depois dele ter saído da minha barriga. Foi a primeira vez também que ele veio pro peito. Tentou sugar, até deu umas “bicadinhas”, mas a oxigenação caiu e ele voltou pra sonda gástrica. E lá se foram mais uns cinco dias até eu poder pegá-lo de novo no colo e tentar amamentar novamente. Dessa vez, ele ficou mais tempo, com o tubinho de oxigênio preso no sutiã, mas mesmo assim ele teve que tomar no copinho, porque continuou com fome.
Fomos pra casa e começamos as tentativas de amamentação. Até então, XXX tinha se alimentado somente com o meu leite - que eu tirava religiosamente de 3h em 3h e levava para o hospital diariamente - através da sonda. Sem esforço, sem sugar. Foi então que o drama começou. Ele só dormiu, era super pequenininho, sugava muito pouco e parava. Eu percebia que ele não estava se alimentando. Tirava o resto do leite e dava pra ele no copinho, pra evitar o bico. Aí é que ele mamava, mas mesmo assim engolia ar.
Os dias foram se passando e a agonia aumentando. Eu tinha pânico dele perder peso e ter que voltar para o hospital. Fiquei paranóica, na minha cabeça só o peito servia e mais nada. A cada mamada o stress era maior. XXX dormia, a gente catucava, tirava roupa, mexia. E nada. Mamava um pouquinho e parava. Ficamos nessa até o dia XXX, 17 dias depois do nascimento dele. Quando entramos no Pró-Nan, com orientação da XXXX, minha amiga/nutricionista que me salvou do hospício. Sim, porque eu teria enlouquecido se ela, minha mãe e o XXX não tivessem me apoiado tanto nessa decisão. A gente não precisa de mais gente pra nos cobrar. Nós já fazemos isso por conta própria.
E é por isso que eu falo da divulgação e a forma como essa informação tão importante é tratada. A amamentação deve realmente ser exaltada e estimulada. É o mais natural, o melhor para o bebê e para a mãe. Em todos os sentindos. Mas, não é o único caminho. Jamais teria optado por não amamentar por questões estéticas ou de praticidade. Mas foi a única opção que me restou. E só eu sei o quanto me doeu e contribuiu para os três primeiros meses do XXX terem sido muito, muito sofridos e traumáticos.
A saída? Acho que a divulgação deve continuar existindo. É uma causa muito, muito nobre. Mas, a realidade da amamentação precisa vir à tona. E não é pra falar de bico rachado ou de dor. Isso é detalhe. Mas sim pra dizer que amamentação e produção de leite não têm nada a ver com competência ou ser boa mãe. E que ela é a melhor, mas não a única opção. A relação mãe e filho não vai ser menos forte porque ele não olhou nos olhos dela enquanto mamava em seu peito. E ele não vai ser uma criança fraca, magrinha ou seja lá o que mais porque tomou leite artificial. Agora, uma coisa é verdade: uma mulher cheia de hormônios em sua corrente sangüínea, que teve sua vida virada de cabeça pra baixo com a chegada de um filho - principalmente o primeiro - certamente teria sua vida facilitade se, durante a gravidez, ela ouvisse que amamentar é um ato de amor. E decidir parar de amamentar porque seu filho precisa ganhar peso ou qualquer outra razão é um ato de muita, muita coragem.
Continuo apoiando e valorizando a amamentação. Durante muito tempo carreguei uma grande frustração - e uma culpa enorme - por não ter amamentado. Com o tempo, vendo meu filho crescer e percebendo todos os lados da maternidade, isso foi passando, ganhando um viés diferente. Estou me preparando para amamentar a XXX no peito. Sem pressões. E provavelmente essa tranqüilidade vai ser o fator decisivo para eu ter sucesso dessa vez. Pelo menos espero!


e depois, veio o comentário de uma leitora do blog...

Oi XXX!!!! Piruando pela net descobri o blog dos seus fofinhos…parabéns, eles são muito lindos. Também tenho uma baby, a pequena XXX e assim como vc e como milhares de mães não consegui amamentar. Fiz uma mamoplastia na adolescência e só amamentei a XXX na marra por 1 mês. Ô experiência frustrante meu Deus. Ninguém me orientou que não poderia amamentar e me preparei pra isso durantes os nove meses. Sou totalmente contra essa campanha impositiva da amamentação. Mãe não é só um seio, é uma realção que se constrói todo dia, independente de onde o bebê mama. Veja tantas mães que amamentam seus filhos por anos, criando uma relação simbiótica e doentia. Criando filhos inseguros e utilizando a criança pra afastar-se sexualmente do marido. Não amamentar pra mim fez com que eu optasse por uma relação bacana com a minha filha, sem dor, sem raiva, sem culpa e com muito, mas muito amor.
Bjs


meu deus digo eu...
como a gente tem um loooonnngo caminho pela frente...
de desmistificação, de mudança de paradigma...
como as pessoas (principalmente as mulheres q não conseguiram amamentar) sentem o recado da amamentação como "impositivo"!
incrível como a gente fala "alhos" e elas entendem "bugalhos"!!!!!
e, principalmente, como as pessoas envolvidas com mães e bebês, os cuidadores (médicos, enfermeiras etc) não estão preparados para assistir e orientar as mães e suas famílias no quesito amamentação!!!!
grosso modo, eu, q ainda me considero uma enorme LEIGA no assunto (apesar da experiência na matrice, apesar da minha experiência pessoal), sou capaz de apontar muitos outros caminhos q poderiam ser tentados e teriam resultado em sucesso na amamentação dos bbzinhos dessas mulheres...
pq, aparentemente, o MAIOR problema aqui foi de orientação, né? ou de falta de orientação...
o q vcs acham?

8 comentários:

Simone disse...

eu acho que:
1) ambas foram vítimas despreparadas
2) ambas estão frustadas mas não as culpo
3) se ela REALMENTE apoiasse, sem mágoas, ela teria feito o trabalho do site. Exemplo: se eu fosse frustrada com o parto, não estaria mais na Materna. Eu e muitas outras que continuam lá.
o caminho é da desmitificação é longo mas não podemos impor nada a quem não tem interesse. É trabalho de formiguinha.
Sábado assisti uma palestra sobre saúde da mulher. Tudo lindo maravilhoso até a enfermeira de uma maternidade, palestrante, chegou no assunto amamentação. Disse coisas lindas e, no fim, disse que amamentação é "cliciamente de efeito até os 9 meses e depois é dispensável". Levantei e saí na mesma hora. Não poderia continuar ouvindo aquilo. Começa a me dar um revertério na alma, uma dor profunda. Você entende, eu sei.

Simone disse...

ops, clinicamente

Simone disse...

quero dizer, eu fiquei frustada mas soube superar e reverter na luta a favor, não contra.
quem sabe ela ainda supere e lute, sem mágoas, para que outras não passem o que ela passou.

Fabiola disse...

uai... fiz uma cesarea... e como defendo o PN

passei por 7 pediatras me mandando dar NAN e vou dar?

ana b. disse...

pois é...
ela não ligou uma coisa à outra, EU é q achei q o "namoro" não continuou por causa dessa visão dela... tipo, ela deu uma passeada no lambisgóia e pensou "xiii, essa é xiíta"...
pelo sim, pelo não, triste, né?...
não o trabalho não feito, mas a visão meio "torta" a respeito da amamentação...
as coisas já são tão difíceis na prática, e ter essa divulgação equivocada prejudica mais ainda!
o q eu mais lamento é o nível de informação das pessoas envolvidas diretamente com a amamentação... tipo essa enfermeira da palestra da si, baseada em quê a fulana faz uma afirmação dessas???
então, é claro q ambas foram muito mal orientadas, e nem dá para culpá-las, mas do jeito q as coisas andam, a amamentção vai de mal a pior...
é trabalho de formiguinha mesmo!

thais disse...

Ai ai... eu acho que elas estão frustradas. Logo passa, eu acho.
Aí elas caem na real.

beijo

Renata disse...

Ana, é triste ler depoimentos assim, ainda mais porque a pessoa passa mesmo a acreditar que muitas mães 'não têm leite', 'não conseguem amamentar', quando a gente sabe que o que falta é orientação. Eu tive n dificuldades na amamentação das meninas, e te digo que o começo foi bem estressante, com as mesmas dificuldades de sempre, dificuldade de pega, bicos rachados, pouco ganho de peso, esgotamento físico e emocional... mas isso nunca me fez considerar a possibilidade de parar de amamentar. Pelo contrário, alimentou a minha força, porque não amamentar NÂO era uma opção. Pena que nem todo mundo encara dessa forma...

Anônimo disse...

Tenho 30 anos e acabei de fazer uma mamoplastia. Não tenho filhos nem perspectivas próximas para ter, embora queira muito. Minhas mamas eram flácidas, caídas e grandes. Vinha sofrendo muitas dores nas mamas e nas costas. Quando optei pela cirurgia meu médico disse que eu tinha uma quantidade muito grande de glândulas e que quando eu engravidasse elas voltariam a crescer e que não prejudicaria na amamentação. Fiquei muito triste em ler depoimentos em que mulheres que passaram por esta cirurgia amamentram apenas por um mês. Sou muito a favor do parto fisiológico e da amamentação exclusiva por no mínimo 6 meses. Espeto não me frustar em nenhuma das duas.